Reflexões sobre Belting (Parte 1)

Olá cantores e cantoras,

O post de hoje é apenas um do que imagino ser uma longa (porém produtiva) reflexão sobre essa técnica, esse conceito, esse termo tão presente no meio da técnica vocal contemporânea que é o Belting. Afinal o que é o Belting? Como faz Belting? Belting é prejudicial? O que acontece com o nosso corpo quando fazemos Belting? Não sei se vou conseguir tirar todas as dúvidas a respeito de Belting e suas variações, mas acredito, pelo menos, que vou conseguir gerar boas reflexões e discussões em torno do tema.

Há um tempo eu venho pensando em como estruturar meus pensamentos para que cheguemos a algo no mínimo esclarecedor a respeito do Belting. Para organizar meu pensamento (e meus posts), eu resolvi dividir o assunto em alguns tópicos (os quais abordarei ao longo de uma série de posts, como disse anteriormente). Cheguei a essa conclusão de como eu gostaria que tivessem me explicado Belting:

  1. Requisitos estéticos e aplicabilidade prática: o que define, esteticamente, o Belting e onde posso usá-lo;
  2. Princípios fisiológicos do Belting: quais as musculaturas envolvidas e como elas trabalham no Belting (ou como podem/devem trabalhar para que se consiga os resultados esperados);
  3. Princípios anatômicos do Belting: como o trato vocal se adequa para a produção do Belting;
  4. Como treinar/desenvolver um Belting saudável.

Dessa forma acima descrita eu imagino que irei contemplar boa parte do que acredito ser necessário para a compreensão do assunto. Assim sendo, abriremos essa série de posts com o primeiro tópico.

BELTING: Requisitos Estéticos e Aplicabilidade Prática

Antes de começarmos a teorizar a respeito da estética do Belting, que tal vermos alguns exemplos? No vídeo a seguir um verdadeiro deleite aos amantes das divas e das notas agudas.

E neste próximo vídeo um grande exemplo masculino de um ícone do Belting e suas variações: Steve Perry.

Agora que já temos alguns parâmetros práticos, podemos começar a dissertar a respeito. É válido ressaltar que o Belting demonstrado nos vídeos é predominantemente em notas agudas. No entanto, o Belting pode ser usado em toda a extensão do(a) cantor(a).

Percebem-se nitidamente as seguintes características estéticas como pressupostos para chamarmos de Belting:

  • Timbre metálico;
  • Voz com bastante brilho;
  • Boa projeção;
  • Timbre próximo do da voz falada do cantor;
  • Remete-nos à voz de peito.

Para que possamos chamar um som de Belting, portanto, ele deve preencher esses requisitos acima listados. No entanto existem armadilhas que essa estética nos remete. Por exemplo: a semelhança com algo que PARECE voz de peito. O próprio termo “voz de peito” pode ser bem pernicioso. Isso pois a voz de peito nos remete a algo forte e de grande presença (características também do Belting).  No entanto podemos ter uma sonoridade tão ou mais forte que a voz de peito, mas sem o mesmo esforço. Eu falei, n’outro post, a respeito da escolha de que “recurso” vocal usar. Confira aqui. O problema pedagógico que isso pode gerar é muito grande, pois muitos cantores, na tentativa de manter uma sonoridade forte, acabam não permitindo que sua voz “passe” para as ressonâncias mais superiores. Ou ainda pior: acostumam-se com a sensação das pregas vocais de voz de peito e querem manter a mesma equação de participação muscular durante toda a extensão. Qualquer uma das duas saídas é fatal à saúde e à total potencialidade vocal do cantor.

Os conceitos estéticos de “voz metálica”, “sonoridade com muito brilho” e “boa projeção”, também podem ser perniciosos se não forem bem orientados. Na tentativa de manter o “metal” e o “brilho” na voz, além de “incrementar sua projeção vocal”, muitos cantores tendem a LITERALMENTE berrar. E o que era pra ser um Belting acaba se tornando um “Berrelting” (acho que ouvi esse termo em um dos cursos do Maestro Marconi Araújo, referência em Belting no Brasil).

E onde posso aplicar o Belting? Em todos os estilos musicais contemporâneos e não clássicos. Essa eu consegui responder sucintamente, hein?

Além disso, Belting é uma estética ou uma técnica? Acho que chegamos ao impasse aqui do Ovo ou da Galinha: quem nasceu primeiro? No caso do Belting, ele já existia antes mesmo de surgir a nomenclatura. E essa nomenclatura vem a definir a estética ou a técnica? De fato eu não possuo essa resposta, mas acredito ser o nome de uma estética que acabou virando técnica (a exemplo de muitas outras como o Drive, Growling, Whistle etc).

Portanto, cantores e cantoras, não se deixem enganar pelos requisitos estéticos extremos do Belting. Lembrem-se que toda técnica deve trazer conforto na sua fonação e máximo rendimento vocal. Se estiver desconfortável está errado. Nos próximos posts eu vou falar mais sobre os requisitos fisiológicos, anatômicos e sobre os caminhos para se desenvolver um bom timbre de Belting, ok?

Espero ter ajudado nas reflexões vocais e espero vocês por aqui para os próximos posts!

Até lá!

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16 comentários em “Reflexões sobre Belting (Parte 1)

  1. Bom dia Fernando , tudo bem?
    Eu li a sua matéria sobre o Belting. Sempre procurei ler muita sobre essa técnica, pois como já foi dito, ela permite uma grande projeção da voz. Eu gosto muito de cantar, mas não sei se estou usando essa técnica. Comecei a me interessar pelo assunto, depois de passar anos ouvindo Celine Dion e Barbra Streisand. Há um tempo atrás, gravei um vídeo e o postei no youtube. Não ficou grande coisa, mas gostaria que você desse uma ouvida e me desse sua verdadeira opinião. Qualquer coisa, você pode enviar para o meu e-mail: scorpionconstellation@hotmail.com
    Aqui está o link do video: https://www.youtube.com/watch?v=7txHilpAhnk

  2. Boa noite Fernando

    sou de osasco.. faco psrte fe ums cis te teatro
    e quero muito fazer suls de canto pata aprender a técnica belting… tem slguma escols pra indicar?

    Des de ja agradeço.

    Att.
    THALINY muniz

  3. Olá Fernando como vai?
    O Belting se caracteriza somente na voz e peito? Ou seja no momento que ouver a troca de registro p/ a voz de cabeça já não seria mais belting?

    Obrigado e parabéns pelo trabalho…

  4. Quando sai o próximo post da técnica Belting???? Gostei da abordagem técnica, inclusive sobre a fisiologia da voz, isso muito me interessa… Abç

  5. Penso que cada qual no seu lugar. Acho fantástico as possibilidades de moldar o trato vocal as expectativas do cantor, acho de suma importância a técnica vocal nesse aspecto, pois ela vem te dar liberdade 😀 e não te engessar… Versatilidade é o que há de bom 🙂

    Fico pensando sobre os vocalizes, vi algumas aulas de SLS e os fonemas usados são ao meu ver vindos do bocejo rsrsrs se estou falando algo errado me corrija. Porque quando o palato mole sobe a laringe abaixa, e todas as aulas que tive ate hoje foram ao contrário, com fonemas mais abertos =/ talvez por isso que ainda canto “apertando” um pouco ….

    Estou muito ansioso para o próximo post Fernando 😀 Tudo de bom meu velho

    • Olá, Lucas! Muito obrigado pelo seu comentário. O SLS trabalha com a premissa de “Causa vs Efeito”. As vogais bobas (som bocejado) servem para abaixar a laringe. Não pensamos em subir o palato, isso é muito pernicioso pois alguns cantores tendem a atribuir a sensação de palato erguido à algo que remete a um som de “batata” na boca. Os sons abertos também são usados no SLS, assim como os sons chatos, mas para outros objetivos. Cada vogal e cada exercício para um determinado objetivo.

      Espero ter esclarecido.

      Um abraço!

    • O Adam Lambert é outro excelente Belter Masculino. Esse Tonéx eu não conhecia, mas é absurdo o vocal dele, hein? Já adicionei o vídeo que você mostrou numa lista que tenho de vídeos de voz no YouTube. Impressionante! Com toda certeza ele é Belter, mas acima do Dó# agudo (4 ou 5, dependendo da contagem que você usa), ele já não faz Belting puro. Usa recursos de voz de cabeça com melhor adução e vogais mais abertas, o que dá esse timbre brilhante. Mas, como havia dito, vou comentar sobre isso com mais nos posts que vêm a seguir. 🙂

  6. Excelente iniciativa, muito esclarecedor, duas perguntas,
    O que o Bruce Dickinson usa nas notas muito agudas é Belting? Qual a diferença de SLS para o Belting? visto que as duas são formas de subir, a diferença estaria na laringe mais elevada no belting? ( se falei coisa erra me corrija por favor rsrsrs)

    • Olá, Lucas! Obrigado pelo feedback. Espero que goste dos demais que vêm por aí. O que o Bruce Dickinson faz nas notas agudas pode, sim, ser considerado Belting. No entanto, em algumas músicas ele faz “berrelting” mesmo. Mas ele é o Bruce Dickinson e aguenta o “tranco”. Eu não recomendo. Quanto à diferença do SLS para o Belting, não sei bem se podemos dizer que há uma diferença. O SLS é uma técnica que faz você cantar de maneira confortável, com laringe estabilizada, pregas vocais apropriadamente aduzidas e compressão ideal para cada nota. Já o Belting, como citei no artigo, em pressupostos estéticos a serem cumpridos. Não necessariamente a laringe precisa estar alta pra você cantar de Belting. Esse é um erro que muitos cantores e professores cometem. A laringe no Belting PODE subir, mas é muito pouco. E esse “PODE” é algo que deve ser opcional, não a única opção do cantor. Portanto, o SLS faz você melhorar o seu Belting, sem necessariamente ensinar Belting. Mas eu vou dissertar sobre isso nos demais artigos e acho que a resposta será mais completa. Por enquanto, fiz-me entender? Abraço!

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